Por que anta devia ser elogio

2026-07-16     HaiPress

A Anta (Tapirus terrestris) também teve o perfil genético decifrado — Foto: Acervo GBB

RESUMO

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GERADO EM: 15/07/2026 - 17:19

"Documentário 'Anta,O Filme' destaca papel vital na conservação florestal"

A anta,maior mamífero terrestre do Brasil,desempenha um papel crucial na conservação das florestas ao dispersar sementes por onde passa. Considerada a "jardineira da floresta",sua importância ecológica é destacada no documentário “Anta,O Filme”,que acompanha o trabalho de Patrícia Medici na Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira. O filme,lançado recentemente,ressalta desafios e conquistas na preservação desse animal vital para a biodiversidade.

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A anta é o maior mamífero terrestre do país. Vive em cinco biomas brasileiros,a saber: Mata Atlântica,Cerrado,Caatinga,Floresta Amazônica e Pantanal. É herbívora e come partes de diversos vegetais,frutos inclusos. Depois de digeri-los,elimina as sementes por suas fezes e ajuda a dispersar diversos tipos de árvores no raio entre os 5 e 10 quilômetros que percorre todos os dias. Por isso,é considerada a jardineira da floresta e responsável por plantar e reflorestar grandes áreas de mata do país.

Foram as antas que traçaram boa parte dos caminhos que viraram estradas e até rodovias do Brasil. Os indígenas que aqui já viviam e os bandeirantes que chegaram depois se utilizaram das trilhas naturais abertas por essa espécie —que sempre contavam com alimento e água pelo caminho.

Aprendi que anta devia ser um elogio com a Patrícia Medici,uma das minhas super-heroínas favoritas. Há 30 anos,ela,formada em Engenharia Florestal pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (da USP),trabalha pela conservação deste animal,que,por conta da diminuição das áreas de floresta no país e outras ameaças,está sempre em risco de entrar em extinção. Patrícia e seu fiel escudeiro Zé,José Maria de Aragão,paulista de Teodoro Sampaio e mateiro há mais de 40 anos,são o tema central de “Anta,que tive a alegria de assistir. A trama do diretor João Marcos Rosa acompanha o trabalho da dupla e de outros integrantes da Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB),criada pela Patrícia em 1996 e vinculada ao Instituto de Pesquisas Ecológicas,IPÊ,com sede em Nazaré Paulista (SP). Foi no Parque Estadual Morro do Diabo,localizado na região Oeste de São Paulo,que Patrícia,mateiros e outros pesquisadores quebraram a cabeça desenvolvendo a melhor forma de capturar as antas sem estressá-las muito e coletar a maior quantidade de material biológico para pesquisas sobre o animal.

Modus operandi funcionando bem,com dados interessantes e muitas especializações na área de manejo e conservação depois,Patrícia começou a aspirar novos horizontes. Em 2007,em uma visita à Fazenda Baía das Pedras,em Aquidauana,no coração do Pantanal Sul,Patrícia teve uma epifania. Como sempre acontece quando vê algo escandalosamente bonito,ficou sem ar e decretou: “Vou trabalhar aqui”. A partir de 2008,a fazenda virou o segundo polo de pesquisas sobre antas do país. Numa região de pouca devastação e grande exuberância,a equipe da INCAB conseguiu montar um banco de dados robusto com parâmetros de antas saudáveis. Não por acaso,a região é chamada de paraíso das antas por Patrícia.

Com todos da INCAB vacinados contra Covid-19,em maio de 2021,eles voltaram ao desbravamento de campos,dessa vez em duas localidades na região conhecida como arco sul do desmatamento da Amazônia. E que conta com áreas de densa floresta fronteiriça com zonas de extração de ferro,em Carajás,e de plantio em larga escala de milho,algodão e soja,na Fazenda Tanguro. Nessa hora,as imagens impressionam ao mostrarem o contraste do tapete verde com o árido das terras antes de receber os grãos ou escavadas na forma de imensas escadas para o processo de extração de minério. Ali,chamado de inferno das antas,há cenas desses animais mortos na beira de estrada,alguns com filhotes,e pior: os parâmetros daqueles capturados apresentam alterações graves nos índices de colesterol e problemas sérios de rim e de fígado.

O filme é realista,lindo de morrer e uma bandeira e tanto para a conservação deste animal fundamental para a sobrevivência das nossas florestas. Foi lançado mês passado e visto por 500 pessoas em exibições únicas. Para levar o filme para a sua cidade ou obter informações sobre o mesmo,entre em contato pelo Instagram @incab.brasil.

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