Flávio 'troca' discurso no tarifaço, deixa STF fora e vai reforçar críticas a Lula por temor de desgaste com mote da soberania

2026-06-03     HaiPress

O presidente Donald Trump,o senador Flávio Bolsonaro,o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo na Casa Branca — Foto: Divulgação/Casa Branca

RESUMO

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GERADO EM: 02/06/2026 - 20:46

Flávio Bolsonaro Altera Discurso e Critica Lula por Taxação dos EUA

O senador Flávio Bolsonaro alterou sua estratégia ao reagir à proposta dos EUA de taxar produtos brasileiros em 25%. Diferentemente de 2025,quando associou as sanções ao STF e a Alexandre de Moraes,agora foca suas críticas no presidente Lula,destacando a soberania nacional e defendendo empresas brasileiras. A mudança visa evitar que Lula capitalize politicamente o discurso de defesa nacional,fortalecendo sua imagem diante das pressões externas.

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Ao reagir à nova proposta dos Estados Unidos para impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros,o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma estratégia diferente daquela utilizada durante a crise comercial de 2025. Se no ano passado suas manifestações associavam as sanções americanas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF),do ministro Alexandre de Moraes e ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pela trama golpista,agora o presidenciável tem concentrado seus ataques no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e buscado reforçar o discurso ligado à soberania nacional e à defesa das empresas brasileiras.

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A mudança ocorre em meio à avaliação de aliados de que a crise diplomática do ano passado acabou fortalecendo Lula politicamente ao permitir que o petista se apresentasse como principal defensor da soberania nacional diante das pressões americanas,o que acabou servindo como capital político ao petista em um momento em que enfrentava forte rejeição do seu governo. A preocupação da pré-campanha de Flávio,nesse caso,é evitar que o mesmo roteiro se repita neste ano.

Na terça-feira,logo após as primeiras notícias de possível nova taxa dos EUA,Flávio afirmou que pediu diretamente ao presidente norte-americano Donald Trump para que não impusesse tarifas sobre as empresas brasileiras. Já durante a tarde,também enviou uma carta ao secretário de Estado,Marco Rubio,defendendo a não adoção das medidas e passou a argumentar que um eventual governo seu em 2027 teria condições de negociar “de igual para igual” com os Estados Unidos.

A estratégia contrasta com o discurso adotado pelo senador durante o primeiro tarifaço anunciado por Trump,em julho de 2025.

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Naquele momento,boa parte das manifestações públicas de Flávio relacionava as sanções americanas à situação política brasileira e às decisões do STF,movimento endossado inclusive pelo próprio Trump que comparava publicamente o julgamento de Bolsonaro a uma suposta “caça às bruxas”.

"Taxa Moraes"

Em uma das publicações feita à época,em 11 de julho de 2025,o senador chegou a divulgar um vídeo em que tratava o tarifaço como “taxa Alexandre de Moraes”. Em outra,pediu a aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras.

“Obrigado presidente Donald Trump. Faça o Brasil Livre Novamente. Queremos Magnitsky”,escreveu em 9 de julho às vésperas da aplicação de fato da sanção ao ministro do Supremo,no final do mesmo mês.

Em diversos momentos,o senador também sustentou que as tarifas não eram consequência de uma disputa comercial,mas resultado da situação enfrentada por Jair Bolsonaro à época.

“Se Bolsonaro estivesse na mesa de negociação,a situação seria outra”,reforçou em 11 de julho.

O senador também reproduziu a avaliação compartilhada por parte do bolsonarismo de que as medidas anunciadas por Trump representavam uma resposta à atuação do STF e ao tratamento dado a Bolsonaro pelas autoridades brasileiras. Em outro momento,também afirmou que a solução para a crise dependia menos de negociações com os Estados Unidos e mais de mudanças internas no Brasil.

As críticas ao governo Lula também estavam presentes,mas dividiam espaço com os ataques ao STF e à situação jurídica de Bolsonaro.

“Lula cavou toda essa situação. Ele começou a ofender Donald Trump ainda durante a eleição americana. Infelizmente,a fatura dessa postura aloprada chegou”,escreveu em 16 de julho.

O discurso,embora em outro momento,é um dos pontos de semelhança com o que Flávio tem usado para argumentar contra o eventual tarifaço de agora,mantendo o foco nas crítica ao governo,a uma postura hostil de Lula com relação aos EUA e na defesa da soberania do povo brasileiro.

O contexto político daquele momento,porém,era diferente do atual. Quando Trump anunciou as tarifas de 50% sobre produtos brasileiros,Jair Bolsonaro ainda respondia ao processo sobre a trama golpista no Supremo Tribunal Federal e a expectativa entre aliados do ex-presidente era de que a pressão internacional pudesse influenciar o ambiente político e jurídico em torno do caso,inclusive na aprovação de uma anistia “ampla,geral a irrestrita” aos envolvidos com o 8 de Janeiro no Congresso.

Nesse sentido,integrantes do bolsonarismo interpretaram as medidas anunciadas por Trump como uma reação não apenas ao governo Lula,mas também ao tratamento dispensado a Bolsonaro e a outros nomes da direita brasileira. A leitura ganhou força porque o próprio presidente americano citou a situação do ex-presidente ao justificar as sanções impostas ao Brasil.

Naquele ambiente,críticas ao STF,a Alexandre de Moraes e ao julgamento de Bolsonaro ocuparam espaço central nas manifestações de Flávio e de outros aliados do ex-presidente. Meses depois,Bolsonaro acabaria condenado pelo Supremo,em setembro de 2025,o que contribuiu para encerrar as expectativas de que a pressão externa pudesse alterar os rumos do processo.

Avaliação muda

Passado quase um ano,a avaliação dentro da oposição é diferente. Segundo interlocutores da pré-campanha,a orientação atual é concentrar o debate na responsabilidade do governo pela deterioração das relações entre Brasília e Washington.

Moraes,embora ainda seja alvo de críticas e questionamentos pela direita,não tem sido protagonista das ofensivas de Flávio há meses,e tem sido figura cada vez menos frequente dos embates escolhidos pelo senador,tendo em vista a delicada situação jurídica do pai e também a tentativa de passar a imagem de Bolsonaro “moderado” aos eleitores.

Nos bastidores,aliados afirmam que a principal preocupação é impedir que o presidente monopolize outra vez a bandeira da soberania nacional,discurso que ganhou força durante a crise do ano passado e que,na avaliação de integrantes do PL,produziu ganhos políticos para o petista. Em falas recentes,Flávio tem investido em trazer essa pauta para si,incluindo a “soberania” também em seus discursos públicos.

Em vez de mencionar Alexandre de Moraes ou defender sanções contra autoridades brasileiras,Flávio passou a argumentar que empresários nacionais já enfrentam elevada carga tributária,criticou a condução da política externa por Lula e afirmou que os Estados Unidos não precisariam recorrer a tarifas para negociar com o Brasil caso ele fosse eleito presidente.

Em vídeo divulgado na terça-feira,o senador afirmou ter pedido diretamente a Trump que não taxasse empresas brasileiras e sustentou que um eventual governo seu seria capaz de negociar “de igual para igual” com Washington.

— Reforcei que os EUA não precisariam mais usar a política de tarifas para negociar com o Brasil porque a partir de janeiro de 2027 o Brasil terá um presidente da República que vai sentar para negociar de igual para igual e vamos chegar a um acordo que seja bom para as duas nações — afirmou.

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