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Chefe IA? Cafeteria na Suécia é gerida por inteligência artificial que contrata, paga salários e administra o negócio; entenda
2026-04-29
HaiPress

Chefe IA? Cafeteria na Suécia é gerida por inteligência artificial que contrata,paga salários e administra o negócio; entenda — Foto: AFP
RESUMO
Sem tempo? Ferramenta de IA resume para vocêGERADO EM: 29/04/2026 - 05:55
Cafeteria em Estocolmo é gerida por IA,gerando debate ético sobre o futuro do trabalho
Uma cafeteria em Estocolmo é administrada por uma IA chamada "Mona",que gere operações,contrata funcionários e decide aspectos do negócio de forma autônoma. Criada pela startup Andon Labs,a iniciativa levanta questões éticas sobre o papel da IA no mercado de trabalho. Apesar de "Mona" oferecer salários competitivos,desafios surgem devido a sua falta de sensibilidade humana,como pedidos de compras redundantes e mensagens fora de hora.O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
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Em um bairro residencial de Estocolmo,uma cafeteria recém-inaugurada parece,à primeira vista,apenas mais um café moderno da capital sueca,com torradas de abacate,cafés latte espumosos e decoração minimalista. O detalhe que muda tudo está nos bastidores: quem administra o negócio é uma inteligência artificial.
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No Andon Café,a responsável atende pelo nome de “Mona”,um agente de IA operado com o Google Gemini. Foi ela quem cuidou de praticamente tudo: solicitou licenças,desenhou o cardápio,encontrou fornecedores,organizou os abastecimentos e decidiu contratar funcionários humanos para tocar a operação no dia a dia.
Um deles é Kajetan Grzelczak,contratado pela própria “Mona” após um processo seletivo conduzido inteiramente pela IA. “Ela publicou vagas no Indeed e no LinkedIn,fez entrevistas por telefone e depois tomou as decisões de contratação”,explicou à AFP Hanna Petersson,integrante da equipe técnica da startup Andon Labs,de San Francisco,criadora do experimento.

Chefe IA? Cafeteria na Suécia é gerida por inteligência artificial que contrata,paga salários e administra o negócio; entenda — Foto: AFP
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A convivência,porém,já revelou falhas bem humanas — ou talvez bem artificiais. “Fazer pedidos de abastecimento não é o ponto forte dela”,diz Kajetan,apontando para uma prateleira abarrotada de compras inúteis feitas por sua “chefe”: 10 litros de azeite de oliva,15 quilos de tomate em conserva,9 litros de leite de coco e até 6 mil guardanapos.
— Com isso não dá para fazer nada — comenta Kajetan enquanto mostra o cardápio,também desenhado por “Mona”,que não exige nenhum desses ingredientes.
IA contratou funcionários (e manda mensagens de madrugada)
Depois de encontrar o ponto comercial,a Andon Labs alimentou o Gemini com a missão de administrar a cafeteria de forma lucrativa,além de fornecer capital inicial. A partir daí,“Mona” passou a tomar decisões operacionais de forma autônoma.
Quando viu a vaga de emprego,Kajetan pensou que fosse uma piada — sobretudo porque ela foi publicada em 1º de abril. No fim,passou por uma entrevista de 30 minutos com a IA e conseguiu a vaga.
O salário,segundo ele,é bom. O problema é outro: a chefe artificial não respeita horários. “Mona” envia mensagens a qualquer hora da noite,esquece pedidos de férias e frequentemente pede que ele adiante dinheiro para compras da cafeteria.
— Acreditamos que a IA terá um papel importante na sociedade e no mercado de trabalho no futuro — explica Hanna Petersson: — Queremos testar isso antes que vire realidade e ver quais questões éticas surgem quando,por exemplo,uma IA emprega seres humanos.

Chefe IA? Cafeteria na Suécia é gerida por inteligência artificial que contrata,paga salários e administra o negócio; entenda — Foto: AFP
Esses dilemas já começaram a aparecer.
— Que salário ela fixou? Que benefícios sociais concedeu? Acho que ela fez um trabalho bastante bom. Oferece um bom salário. Se não tivesse feito isso,teríamos intervindo — afirma Petersson.
Aberta há apenas uma semana e recebendo entre 50 e 80 clientes por dia,a cafeteria já virou ponto de curiosidade em Estocolmo — e também laboratório vivo para perguntas que podem moldar o futuro do trabalho.
— Fala-se muito que a IA está prestes a tirar nossos empregos,mas como isso seria na prática? — questiona Urja Risal,pesquisadora de 27 anos nas áreas de IA e desenvolvimento sustentável: — Espero que mais pessoas interajam com ‘Mona’ e reflitam sobre os riscos reais de ter uma IA como chefe,e sobre como enfrentá-los. Por exemplo,se alguém se machucar,como ela reagiria?



