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Discurso em ato é novo afago de Tarcísio ao bolsonarismo em meio a vaivém de acenos; relembre histórico
2025-03-19
IDOPRESS
Tarcísio de Freitas defendeu anistiar presos do 8 de janeiro e 'libertar o Brasil da esquerda' em ato no Rio — Foto: Mauro Pimentel/AFP
RESUMO
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Tarcísio de Freitas equilibra críticas à esquerda e elogios a Lula em busca de apoio bolsonarista
Em um ato em Copacabana,Tarcísio de Freitas afaga o bolsonarismo ao criticar a esquerda e defender a anistia a envolvidos nos ataques de 8 de janeiro. Dias antes,elogiou Lula publicamente,evidenciando seu vaivém de acenos políticos. Governador paulista,Tarcísio equilibra-se entre agradar a base bolsonarista e manter uma postura moderada,visando ser herdeiro político de Bolsonaro nas urnas de 2026.O Irineu é a iniciativa do GLOBO para oferecer aplicações de inteligência artificial aos leitores. Toda a produção de conteúdo com o uso do Irineu é supervisionada por jornalistas.
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O discurso elogioso de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no ato convocado por Jair Bolsonaro (PL) em Copacabana,no domingo,e a promessa de atuar em favor da aprovação de uma anistia aos envolvidos nos ataques do 8 de janeiro se somam a um vaivém de acenos do governador à base mais radical de apoio do ex-presidente desde o início de seu mandato em São Paulo.
Bela Megale: O resultado da pesquisa que testa a popularidade de Lula,Tarcísio e Nunes em São PauloEntre participantes de ato: Tarcísio é o mais citado como melhor substituto para Bolsonaro em 2026
Entram nessa lista desde eventos ao lado de ditos opositores políticos,como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes,até a escolha de subordinados e de pautas caras ao grupo para investir ou abandonar à frente do Palácio dos Bandeirantes e do segundo maior orçamento público do país.
— Tarcísio está tendo que fazer um protagonismo estranho. Ele tem que parecer bolsonarista e não tão moderado como realmente ele é de fato. Ao mesmo tempo,ele também não pode radicalizar demais — avalia o cientista político José Álvaro Moisés. Ao legitimar a possibilidade de Bolsonaro ser candidato em 2026,aponta o professor da USP,o governador paulista lança as próprias bases para ser o herdeiro político do ex-presidente nas urnas.
Rotulado de forasteiro e com domicílio eleitoral fixado de última hora em São José dos Campos,antes das eleições de 2022,Tarcísio deve a sua ascensão política a Bolsonaro,de quem foi ministro da Infraestrutura,e ele não precisou nem tomar posse para ser lembrado disso.
Em dezembro daquele ano,o governador eleito recebeu uma avalanche de críticas ao dizer em uma entrevista que nunca foi um “bolsonarista raiz” e que,apesar de comungar da agenda econômica liberal e ser contra aborto e liberação das drogas,não tinha a intenção de “entrar em guerra ideológica e cultural”. O político teve que ir às redes sociais para reafirmar a “admiração e gratidão” ao ex-presidente.
Na prática,Tarcísio realmente escolheu a dedo as suas pautas. O governador paulista não demonstrou interesse em negacionismo climático,postura antivacina e ataques ao Judiciário. No entanto,não deixou de fazer um afago à ala mais radical do bolsonarismo ao comprar a briga de implementar escolas cívico-militares com o fim do programa em nível federal e delegar a área da segurança pública a Guilherme Derrite (PL),deputado federal transferido da Rota por excesso de mortes em serviço.
Nem mesmo uma crise na segurança pública,com o assassinato de um delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) em plena luz do dia no aeroporto de Guarulhos e uma série de abusos policiais flagrados em vídeo foram suficientes para Tarcísio trocar o secretário bolsonarista. Ele recuou,contudo,da sua postura reticente ao uso de câmeras corporais por agentes da Polícia Militar e admitiu problemas na corporação.
Ainda nos primeiros meses de mandato,o governador precisou conter uma rebelião de deputados bolsonaristas na Assembleia Legislativa,insatisfeitos com a postura na pauta de costumes,o ritmo de liberação de emendas e com o nível de influência do secretário de governo,Gilberto Kassab (PSD).
Outra controvérsia foi aberta quando optou por apoiar a reforma tributária mesmo com Bolsonaro fazendo campanha aberta contra. A decisão rendeu puxão de orelha público em entrevista de Bolsonaro à época: Tarcísio é “um baita de um gestor”,alegou o ex-presidente,mas que,“politicamente,dá suas escorregadas”.
O desconforto foi amenizado com novos acenos ao bolsonarismo. Tarcísio fez parte,por exemplo,da comitiva bolsonarista que prestigiou a posse do presidente argentino,Javier Milei,novo símbolo da ascensão da extrema direita na América Latina. Diante do episódio de maior tensão,quando apareceu sorridente em um evento ao lado de Lula em Santos,em fevereiro de 2024,uma manifestação na Avenida Paulista colocou panos quentes na situação.
— Você não é mais um CPF. Você não é mais uma pessoa. Você representa um movimento. Você representa todos eles que aprenderam,que descobriram,que vale a pena brigar pela família,pela pátria,pela liberdade — disse o governador. Mais do que o discurso,a presença já contava muito. Bolsonaro recém havia sido indiciado pela Polícia Federal no inquérito da trama golpista no Planalto,pelo qual ele viria a ser denunciado este ano como líder do grupo.
No caso do Judiciário,apesar de não defender a atuação de ministros do Supremo,Tarcísio também apareceu em clima amistoso com Alexandre de Moraes em evento público. A nomeação de Paulo Sérgio Oliveira e Costa como procurador-geral de Justiça teve influência de Moraes e de Kassab. O pastor evangélico Silas Malafaia,um dos críticos mais virulentos ao STF,chegou a dizer que os movimentos o deixavam “com pé atrás” sobre o comprometimento dele com o bolsonarismo.
Este ano,o perfil equilibrista deu as caras novamente com a posse do presidente americano,Donald Trump. O recado veio nas redes sociais,o território bolsonarista por excelência. Tarcísio vestiu o boné vermelho de campanha com o slogan “Make America Great Again”. Na mesma semana,deu evento no Palácio para anunciar um conselho de mudanças climáticas,o que não poderia ser mais diverso da agenda trumpista,preocupada em retirar o quanto antes os Estados Unidos do Acordo de Paris.
A nova solenidade ao lado de Lula,no final de fevereiro,novamente em Santos,marcada pelo clima amistoso,não chocou a base bolsonarista da mesma forma que no ano passado. Poucas foram as menções nas redes ao episódio. Tarcísio,por outro lado,ganhou pontos ao deslegitimar a denúncia de golpismo do Ministério Público contra o padrinho político e adotar como rotina a defesa da retomada dos seus direitos políticos,sem citar diretamente os algozes da inelegibilidade.
O vaivém de acenos de Tarcísio ao bolsonarismo
SER OU NÃO SER: “Eu nunca fui bolsonarista raiz”,declarou em entrevista pouco antes de assumir o mandato para justificar que não entraria em “guerra ideológica e cultural” enquanto governador de São Paulo. A fala abriu uma crise na base de apoio e foi amenizada com postagem de “gratidão” a Bolsonaro. MONTAGEM DO GABINETE: Tarcísio escolhe o presidente do PSD,Gilberto Kassab,desafeto do bolsonarismo,como secretário de governo,responsável pela articulação com os prefeitos. Ele acena à base ideológica com Guilherme Derrite na Segurança Pública e Sonaira Fernandes na pasta da Mulher.REFORMA TRIBUTÁRIA: O governador paulista defende a aprovação da reforma tributária do governo federal,por entender que é uma medida econômica positiva. Bolsonaro faz campanha aberta contra,e os dois aparecem discutindo em uma reunião hostil do PL.PROJETOS ESTADUAIS: Tarcísio enfrentou uma rebelião de deputados bolsonaristas na Assembleia Legislativa depois de liberar verba para parada gay,autorizar uma feira do MST e liberar a cannabis medicinal na rede de saúde pública. Em contrapartida,decidiu criar um programa de escolas cívico-militares.EVENTOS PÚBLICOS: O governador compareceu sorridente a eventos ao lado do presidente Lula (PT) e do ministro do STF Alexandre de Moraes,as duas figuras mais detestadas pelo bolsonarismo. Em compensação,discursou em atos convocados por Bolsonaro na Av. Paulista e Copacabana e participou da comitiva para a posse do presidente argentino,Javier Milei.CRISE NA SEGURANÇA: Tarcísio bancou o perfil linha dura na segurança pública e chegou a dizer que não estava “nem aí” para denúncias referentes aos altos índices de letalidade policial. Pressionado pela opinião pública e pelo STF,reconheceu que estava errado ao criticar a adoção de câmeras corporais pela PM e admitiu problemas. ELEIÇÕES NA CAPITAL: O governador decide se engajar completamente na campanha de Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo,mesmo com Bolsonaro aconselhando-o a manter distância. Recebe um cumprimento de “líder maior” do prefeito reeleito,e aliados falam que coligação virou ensaio para 2026.TRUMP 2.0: Tarcísio surfa na popularidade do presidente americano,Donald Trump,e aparece no dia da posse colocando o boné com a inscrição “Make America Great Again”. Na mesma semana,anuncia conselho de combate a mudanças climáticas em São Paulo.
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